O que é Dispepsia Funcional?

A dispepsia funcional é uma condição caracterizada por sintomas desconfortáveis na região superior do abdome (epigástrio) na ausência de doenças orgânicas que expliquem os sintomas. É um dos distúrbios gastrointestinais funcionais mais comuns, afetando cerca de 10-20% da população.

A Dra. Ana Thereza Marzola, especialista em Doenças Funcionais e Motilidade Digestiva pelo Hospital Israelita Albert Einstein, possui expertise no diagnóstico e tratamento da dispepsia funcional.

Subtipos de Dispepsia Funcional

Segundo os critérios de Roma IV, a dispepsia funcional é dividida em dois subtipos principais:

Síndrome do Desconforto Pós-Prandial (PDS)

Caracterizada por sintomas relacionados às refeições:

  • Plenitude pós-prandial: Sensação de comida "parada" no estômago após refeições normais.
  • Saciedade precoce: Sensação de estar "cheio" logo após começar a comer, impedindo terminar a refeição.

Síndrome da Dor Epigástrica (EPS)

Caracterizada por dor ou queimação na região epigástrica:

  • Dor epigástrica: Dor na "boca do estômago", intermitente, moderada a intensa.
  • Queimação epigástrica: Sensação de ardor na região superior do abdome.

Os dois subtipos podem coexistir no mesmo paciente (sobreposição).

Sintomas Associados

Além dos sintomas principais, pacientes com dispepsia funcional frequentemente apresentam:

  • Náuseas (sem vômitos frequentes)
  • Eructações excessivas
  • Distensão epigástrica
  • Sintomas de refluxo (sobreposição frequente)
  • Sintomas de SII (sobreposição em até 50% dos casos)

Mecanismos Fisiopatológicos

A dispepsia funcional resulta da interação de múltiplos mecanismos:

  • Acomodação gástrica prejudicada: O estômago não relaxa adequadamente para receber alimentos.
  • Hipersensibilidade visceral: Percepção aumentada de distensão gástrica normal.
  • Retardo do esvaziamento gástrico: Presente em 20-40% dos pacientes.
  • Inflamação duodenal de baixo grau: Eosinófilos aumentados na mucosa duodenal.
  • Alteração da microbiota: Disbiose pode contribuir para os sintomas.
  • Disfunção do eixo intestino-cérebro: Processamento central alterado dos sinais viscerais.
  • Infecção prévia: Dispepsia pós-infecciosa após gastroenterite.

Diagnóstico

O diagnóstico de dispepsia funcional é de exclusão:

Critérios de Roma IV

  • Presença de um ou mais dos sintomas cardinais (plenitude, saciedade precoce, dor ou queimação epigástrica)
  • Sintomas presentes por pelo menos 3 meses, com início há pelo menos 6 meses
  • Ausência de doença orgânica que explique os sintomas

Exames Complementares

  • Endoscopia digestiva alta: Exclui úlceras, gastrite erosiva, câncer e outras lesões.
  • Pesquisa de H. pylori: A erradicação pode melhorar sintomas em alguns pacientes.
  • Exames laboratoriais: Hemograma, função tireoidiana, glicemia.
  • Ultrassonografia: Exclui doenças hepatobiliares e pancreáticas.
  • Estudo do esvaziamento gástrico: Em casos selecionados refratários.

Tratamento

Medidas Gerais e Dietéticas

  • Refeições menores e mais frequentes
  • Evitar alimentos gordurosos que retardam o esvaziamento
  • Comer devagar, mastigando bem
  • Evitar deitar após as refeições
  • Reduzir consumo de cafeína e álcool
  • Gerenciamento do estresse

Tratamento Farmacológico

Para Síndrome da Dor Epigástrica

  • Inibidores de bomba de prótons: Primeira linha, eficácia moderada.
  • Bloqueadores H2: Alternativa aos IBPs.

Para Síndrome do Desconforto Pós-Prandial

  • Procinéticos: Domperidona, itoprida melhoram o esvaziamento gástrico.
  • Acotiamide: Melhora a acomodação gástrica (disponibilidade limitada no Brasil).

Para Casos Refratários

  • Neuromoduladores: Antidepressivos tricíclicos em baixas doses.
  • Mirtazapina: Pode ajudar em pacientes com perda de peso.
  • Terapias psicológicas: TCC, hipnoterapia para casos com componente psicológico importante.

Erradicação do H. pylori

Quando presente, a erradicação é recomendada. Pode resultar em melhora sustentada em uma parcela dos pacientes.

Tratamento Especializado para Dispepsia

A dispepsia funcional pode impactar significativamente a qualidade de vida. Agende sua consulta com a Dra. Ana Thereza Marzola para diagnóstico e tratamento adequados.

Agendar pelo WhatsApp