Entendendo a Distensão Abdominal
A distensão abdominal é uma das queixas mais frequentes em gastroenterologia. Caracteriza-se pela sensação de inchaço ou aumento do volume abdominal, que pode ou não ser visível objetivamente. Muitos pacientes descrevem como "barriga estufada" ou "sentir-se como um balão".
A Dra. Ana Thereza Marzola, especialista em Doenças Funcionais e Motilidade Digestiva pelo Hospital Israelita Albert Einstein, investiga cuidadosamente as causas da distensão abdominal para oferecer tratamento eficaz.
Distensão vs. Inchaço (Bloating)
É importante diferenciar dois conceitos relacionados:
- Inchaço (bloating): Sensação subjetiva de aumento do volume abdominal, sem necessariamente haver aumento mensurável.
- Distensão: Aumento objetivo e mensurável da circunferência abdominal, visível ao exame.
Ambos podem ocorrer juntos ou separadamente e podem ter causas diferentes.
Causas Comuns
Distúrbios Funcionais
- Síndrome do Intestino Irritável: Uma das principais causas de distensão crônica.
- Dispepsia funcional: Pode causar desconforto e distensão na região superior do abdome.
- Constipação funcional: Acúmulo de fezes contribui para distensão.
Intolerâncias e Má Absorção
- Intolerância à lactose: Fermentação da lactose não absorvida produz gases.
- Má absorção de frutose: Comum e frequentemente subdiagnosticada.
- Sensibilidade aos FODMAPs: Carboidratos fermentáveis causam distensão.
- Doença celíaca: Pode manifestar-se predominantemente com distensão.
Supercrescimento Bacteriano (SIBO)
O excesso de bactérias no intestino delgado fermenta carboidratos, produzindo gases e causando distensão significativa, frequentemente pior após as refeições.
Outras Causas
- Aerofagia: Engolir ar excessivamente (ao comer rápido, mascar chiclete, falar enquanto come).
- Gastroparesia: Esvaziamento gástrico lentificado.
- Ascite: Acúmulo de líquido na cavidade abdominal (causa orgânica importante).
- Obstrução intestinal: Parcial ou completa, causa importante a excluir.
- Disbiose intestinal: Desequilíbrio da microbiota.
- Período menstrual: Flutuações hormonais causam retenção hídrica e distensão.
Mecanismos da Distensão
A distensão pode resultar de diferentes mecanismos:
- Acúmulo de gases: Produção excessiva ou eliminação inadequada.
- Retenção de conteúdo intestinal: Por trânsito lento ou obstrução.
- Hipersensibilidade visceral: Percepção aumentada de volumes normais.
- Relaxamento paradoxal do diafragma: Alteração de resposta muscular em alguns pacientes funcionais.
- Contração inadequada da parede abdominal: Que normalmente se contrai para acomodar gases.
Investigação Diagnóstica
A avaliação da distensão abdominal pode incluir:
- Avaliação clínica detalhada: Padrão temporal, relação com alimentação, sintomas associados.
- Teste respiratório: Para SIBO, intolerância à lactose e frutose.
- Exames laboratoriais: Hemograma, função tireoidiana, sorologia para celíaca.
- Ultrassonografia abdominal: Exclui ascite e outras causas orgânicas.
- Endoscopia/Colonoscopia: Em casos selecionados, para excluir causas estruturais.
- Diário alimentar: Correlação entre alimentos e sintomas.
Tratamento
Medidas Gerais
- Comer devagar, mastigando bem
- Evitar bebidas gaseificadas
- Não mascar chiclete
- Reduzir alimentos que causam gases (feijão, repolho, brócolis)
- Evitar canudos e não falar enquanto come
- Atividade física regular
Dieta
- Dieta Low FODMAP: Muito eficaz para distensão associada a SII.
- Identificação de gatilhos: Eliminação e reintrodução sistemática.
- Fracionamento: Refeições menores e mais frequentes.
Tratamento Específico
- Probióticos: Cepas específicas podem ajudar a reduzir gases.
- Antibióticos: Rifaximina para SIBO.
- Procinéticos: Se houver retardo no esvaziamento.
- Simeticona: Ajuda na coalescência de bolhas de gás.
- Enzimas digestivas: Lactase para intolerância à lactose.
Investigação da Distensão Abdominal
Distensão abdominal persistente merece investigação adequada. Agende sua consulta com a Dra. Ana Thereza Marzola para diagnóstico e tratamento personalizados.
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